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Presidente do IFC 2020 fala sobre o futuro do setor do pescado

07/02/2020 20:09:07
Presidente do IFC 2020 fala sobre o futuro do setor do pescado

"O FUTURO DO SETOR DE PESCADOS PASSA PELA ESTRUTURAÇÃO DE UMA CADEIA COMPETITIVA, SUSTENTÁVEL E FOCADA NO MERCADO GLOBAL" afirma o consultor, professor da FGV e Ex. MInistro da Pesca Altemir Gregolin - Presidente do IFC 2020

A produção de pescados como um tema estratégico para o país está em definitivo deixando de ser um assunto apenas dos que fazem a atividade, para constituir-se em um importante objetivo do setor agropecuário brasileiro. Lideranças como os Ex-Ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Alisson Paulinelli e a Ministra da Agricultura Teresa Cristina, destacaram recentemente a necessidade de o país investir nesta cadeia produtiva.

A entrada de grandes cooperativas e investidores privados na aquicultura provocaram o debate em torno das oportunidades e das razões estratégicas em se investir no setor: O potencial inigualável do Brasil, o consumo mundial crescente, a proteína animal mais comercializada no mundo (U$$ 144 bilhões – FAO 2018), a agregação de valor ao transformar grãos em uma proteína nobre, o balanço energético vantajoso (quantidade de ração x kg de proteína) em se produzindo pescado no comparativo com outras carnes, a baixa emissão de gases de efeito estufa, a baixa competição por terras já que o principal ativo para produção de pescado é a água, além de poder contar com a expertise do país na produção de outras carnes.

O país, porém, só terá um futuro grandioso na produção de pescados se for capaz de construir uma cadeia competitiva, sustentável e focada no mercado global. Competitiva considerando uma economia cada vez mais globalizada e impactada por uma profunda revolução tecnológica, sustentável diante de um mundo e de um consumidor cada vez mais preocupado com a sustentabilidade do planeta e a saudabilidade dos alimentos e, focado no mercado global porque, apesar do nosso grande mercado interno, não será ele capaz de absorver a nossa promissora produção. A principal cadeia da aquicultura, a tilápia, já esbarrou nos limites atuais do mercado interno.

Nesta direção, articulado com este eixo norteador, é estratégico também, elaborar um plano de ação de longo prazo que crie um ambiente de negócios capaz de atrair e viabilizar investimentos. Este plano deve estar focado nas espécies de maior potencial zootécnico e com melhores perspectivas de mercado, em mudanças na legislação de forma a garantir segurança jurídica para o setor produtivo, em uma política tributária que desonere a cadeia do pescado (rever sugestões da FGV apresentadas em 2012), em investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, na solução dos entraves no licenciamento ambiental, no aperfeiçoamento das linhas de crédito para o setor, na estruturação de uma política industrial que consolide uma indústria forte e competitiva e na implementação de uma política de estímulo ao consumo interno e às exportações. Um plano centrado na inovação, sustentabilidade e inclusão, que sinalize claramente que o país quer alcançar no pescado a mesma liderança que conquistou nas outras carnes,abastecendo o mercado interno, exportando para o mundo e gerando milhares de postos de trabalho, emprego, renda e riqueza para o país. Com isso, os investimentos virão de forma vigorosa e o século XX será o século do pescado para o Brasil.

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